O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), confirmou nesta quinta-feira (28) que o Brasil decidiu avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. A medida surge como uma estratégia para acelerar as negociações em resposta ao tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump às exportações brasileiras. “O que eu espero é que isso ajude a acelerar o diálogo e a negociação”, afirmou Alckmin, enfatizando a intenção de superar o impasse nas relações diplomáticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou o Itamaraty a acionar a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que terá até 30 dias para apresentar um relatório técnico sobre as tarifas americanas. Caso a Camex conclua que há fundamento para aplicar a reciprocidade, um grupo de trabalho será criado para sugerir contramedidas, como tarifas adicionais sobre produtos americanos. A estratégia brasileira se assemelha à adotada pela China em negociações anteriores com Trump, utilizando medidas recíprocas para incentivar o diálogo.
Apesar das ações do governo brasileiro, fontes relatam que a Casa Branca não demonstrou interesse em negociar até o momento, o que sugere um caráter político por trás do tarifaço. A iniciativa de acionar a Lei da Reciprocidade é vista como uma pressão calculada para aumentar os custos políticos e econômicos das tarifas impostas por Trump, refletindo a complexidade das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.