As enchentes que frequentemente assolam diversas cidades brasileiras, especialmente após o inverno seco, revelam um padrão alarmante de descaso e falta de preparação. Com a chegada das tempestades, a população se vê novamente diante de cenas devastadoras: ruas alagadas, casas invadidas e vidas perdidas. O fenômeno, que se repete anualmente, não é uma surpresa climática, mas um reflexo da negligência em investimentos em infraestrutura de drenagem e captação de águas pluviais.
Recentemente, o Rio Grande do Sul foi palco de enchentes que afetaram bairros inteiros, demonstrando que a natureza não faz distinção de classe social. Famílias foram forçadas a buscar abrigo em telhados, enquanto prédios públicos e privados, como bancos e museus, foram evacuados. A imagem de um cavalo isolado sobre um telhado se tornou um símbolo da tragédia e da falta de ação efetiva diante de um problema que se agrava a cada ano.
A situação é agravada pela urbanização descontrolada, que resultou em cidades impermeáveis, incapazes de absorver a água da chuva. A falta de planejamento e a priorização de soluções imediatas em detrimento de ações sustentáveis têm levado a um ciclo vicioso de alagamentos e promessas não cumpridas. Especialistas alertam que é necessário um investimento em resiliência urbana, com a requalificação da infraestrutura e a criação de áreas verdes, para evitar que a tragédia se repita.
Governantes e autoridades precisam reconhecer que a prevenção e a manutenção de áreas de drenagem não podem ser adiadas. A urgência das enchentes exige uma mudança na prioridade da agenda política, com ações concretas que garantam a segurança e a qualidade de vida da população. Sem isso, a conta das chuvas continuará a chegar, e as cidades seguirão à mercê de desastres naturais.