A Cúpula do Brics, que acontece no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de outubro, é marcada por tensões geopolíticas, especialmente devido à guerra entre Israel e os Estados Unidos contra o Irã. O bloco, que cresceu de cinco para 11 membros permanentes nos últimos dois anos, busca consolidar sua posição no cenário global, enfrentando desafios na administração de sua expansão e na busca por um novo modelo de cooperação multilateral.
Especialistas apontam que a agenda da cúpula foi reduzida em comparação ao ano anterior, quando a Rússia apresentou propostas ambiciosas. O Brasil, atual presidente do bloco, optou por uma abordagem mais cautelosa, evitando provocar os Estados Unidos, que têm se mostrado avessos a mudanças que possam fragilizar seu poder global. Entre os temas em discussão estão Inteligência Artificial, mudanças climáticas e a desdolarização das transações comerciais.
A professora Ana Garcia, da UFRRJ, destaca que o foco do Brasil está em iniciativas que fortaleçam o comércio e os investimentos entre os países membros, uma vez que o comércio intra-Brics ainda é considerado baixo. A coordenadora do grupo de pesquisa sobre Brics da PUC-Rio, Maria Elena Rodríguez, acrescenta que a maioria dos países do bloco, exceto Rússia e Irã, está adotando uma postura cautelosa, buscando uma agenda mais neutra e focada no Sul Global, sem confrontar diretamente o Ocidente.