Uma tumba egípcia antiga, descoberta em Abidos, está ajudando a desvendar os mistérios de uma dinastia que governou a região há mais de 3.600 anos. A câmara funerária, feita de calcário e decorada com hieróglifos danificados por saqueadores, é a maior já encontrada entre os governantes da chamada Dinastia de Abidos. Apesar da ausência de restos mortais e de identificação clara, os arqueólogos acreditam que o túmulo pertencia a um rei do Segundo Período Intermediário (1640-1540 a.C.), período marcado por fragmentação política no Egito antigo.
A necrópole onde a tumba foi encontrada está localizada na Montanha de Anúbis, local sagrado para os egípcios, associado ao deus Osíris. A descoberta reforça a existência da Dinastia de Abidos, uma linhagem pouco documentada e muitas vezes omitida dos registros históricos tradicionais. Até agora, apenas o nome de um rei dessa dinastia, Seneb-Kay, foi confirmado em escavações anteriores. A nova tumba, porém, sugere que outros governantes, como Senaiib ou Paentjeni, podem ter sido enterrados no local.
Os pesquisadores planejam expandir as escavações e utilizar tecnologias como radar de penetração no solo para mapear a área, na esperança de encontrar mais túmulos e reconstruir a história dessa dinastia enigmática. A descoberta desafia a narrativa linear da história egípcia, mostrando como registros oficiais muitas vezes ignoraram governantes menores. Segundo especialistas, cada nova tumba encontrada ajuda a reescrever um capítulo até então obscuro do passado do Egito.