A Quaresma, período que simboliza os 40 dias em que Jesus Cristo foi tentado no deserto, é cercada de superstições em algumas comunidades, especialmente no interior de São Paulo e Minas Gerais. Muitos acreditam que, durante essas semanas, o mundo fica vulnerável ao mal, levando a práticas como evitar varrer a casa, lavar os cabelos ou abrir portas após o pôr do sol. Essas crenças, embora sem embasamento bíblico, são justificadas pelos supersticiosos como forma de proteção contra espíritos ruins.
Historiadores e religiosos destacam que essas tradições não têm ligação com a teologia católica, sendo parte de um folclore regional. Entre as explicações populares, está a ideia de que ações cotidianas, como cortar unhas ou espalhar sal nas portas, podem afastar energias negativas. No entanto, a Igreja Católica reforça que a Quaresma é um tempo de reflexão espiritual, não de superstição, e a única recomendação oficial é a abstinência de carne vermelha às sextas-feiras.
Apesar da falta de fundamentação religiosa, as crendices persistem, influenciando até mesmo crianças e adultos que evitam atividades simples durante o período. Para especialistas, essas práticas refletem um medo cultural do desconhecido, mas não representam a verdadeira essência da Quaresma, que deve ser marcada pela preparação para a Páscoa e não por temores infundados.