As preocupações com os impactos das tarifas comerciais dos Estados Unidos foram o foco da reunião do Banco Central Europeu (BCE) em março, conforme revelado pela ata divulgada nesta quinta-feira. As autoridades já avaliavam os custos potenciais das medidas, destacando que elas poderiam pressionar o crescimento econômico, enquanto seus efeitos sobre a inflação permaneciam incertos. Na ocasião, o BCE optou por reduzir as taxas de juros pela sexta vez desde junho do ano passado, mantendo a possibilidade de novos cortes, mas evitou compromissos para abril devido às incertezas em torno das políticas comerciais.
O documento mostrou que os riscos de choques externos, como a escalada de tensões comerciais, poderiam afetar significativamente a economia e até mesmo dificultar o alcance da meta de inflação no médio prazo. Alguns membros do BCE argumentaram que a combinação de fatores poderia exigir ações decisivas, sugerindo que a prudência não necessariamente implicaria em ajustes graduais das taxas. No entanto, também houve alertas sobre possíveis aumentos de preços no curto prazo, especialmente se a Europa adotasse medidas de retaliação.
Nas semanas seguintes à reunião, os mercados passaram a antecipar novos cortes de juros, com investidores apostando em uma redução já em abril e mais duas até o final do ano, diante do alívio nas pressões inflacionárias. No entanto, o cenário permanece complexo: medidas protecionistas podem elevar custos para empresas e inflação, enquanto gastos com defesa podem impulsionar a demanda agregada. O BCE reforçou a necessidade de cautela na condução da política monetária e na comunicação, dada a alta incerteza global.