As maiores empresas de calçados e vestuário do mundo, como Nike e Adidas, enfrentam desafios em suas cadeias de suprimentos após a imposição de tarifas de 46% pelos EUA sobre produtos vietnamitas. O Vietnã é um centro de produção crucial para ambas as marcas, responsável por cerca de metade dos tênis da Nike e 39% dos da Adidas, gerando mais de US$ 20 bilhões em receita anual. Com as tarifas, as ações da Nike caíram 4%, e analistas alertam que os preços para os consumidores devem subir, já que realocar a produção é inviável devido à necessidade de mão de obra especializada e fábricas dedicadas.
O Vietnã tornou-se um dos principais fornecedores globais de calçados e têxteis, especialmente após as tensões comerciais entre EUA e China. O país exportou US$ 44 bilhões em têxteis no ano passado, com os EUA como seu maior mercado. Apesar de sua força na indústria, o superávit comercial vietnamita com os EUA, que ultrapassou US$ 123 bilhões em 2024, levou a pressões por ajustes, incluindo a redução de tarifas locais para produtos americanos como carros e etanol.
As medidas tarifárias aumentam a incerteza para varejistas globais, como Uniqlo, H&M e Gap, que também dependem do Vietnã. Embora o governo vietnamita tenha sinalizado disposição para negociar, incluindo uma proposta inusitada do primeiro-ministro de visitar o ex-presidente americano para resolver disputas, o impacto nas cadeias de suprimentos e nos preços ao consumidor parece inevitável. Com o Vietnã sendo uma das economias que mais crescem na Ásia, as tarifas podem afetar não apenas as empresas, mas também o comércio global.