O governo dos Estados Unidos anunciou a implementação de tarifas recíprocas sobre produtos brasileiros, com uma taxa de 10% a vigorar a partir do próximo sábado. A medida, parte de um pacote chamado “Dia da Libertação”, visa equilibrar as relações comerciais, alegando que outros países impõem barreiras injustas aos produtos americanos. Embora o impacto direto no comércio brasileiro seja limitado no curto prazo, setores como aeronaves, aço e petróleo não foram os principais alvos iniciais. No entanto, especialistas alertam que a medida pode pressionar a inflação nos EUA, afetando as taxas de juros e, consequentemente, o câmbio e o crédito no Brasil.
A lógica por trás das tarifas recíprocas é equiparar encargos comerciais, mas críticos argumentam que a abordagem ignora acordos multilaterais e aspectos técnicos do comércio internacional. O cálculo das tarifas considerou diferenças tributárias, barreiras não-tarifárias e níveis de proteção, mas a metodologia foi questionada por sua imprecisão. No caso do Brasil, o nível de proteção identificado foi de 10%, resultando na sobretaxa aplicada.
Além do Brasil, outros países como o Camboja também foram afetados, com tarifas que chegam a 49%. A medida pode intensificar disputas comerciais globais, com efeitos indiretos como a desvalorização cambial e o aumento da inflação doméstica em economias emergentes. Analistas destacam que, embora o objetivo seja proteger a economia americana, as tarifas recíprocas podem gerar incertezas e retaliações, impactando a estabilidade financeira internacional.