A política comercial do governo dos Estados Unidos atinge um novo patamar com a implementação das tarifas recíprocas, batizadas pelo presidente como “Dia da Libertação”. A medida, que entra em vigor nesta quarta-feira (2.abr.2025), visa retaliar parceiros comerciais que impõem barreiras consideradas injustas, afetando países como China, México, Canadá e União Europeia. O Brasil, embora não seja um alvo óbvio por critérios econômicos, permanece em alerta devido a menções anteriores sobre desequilíbrios tarifários, como no caso do etanol.
Especialistas avaliam que o impacto no Brasil pode variar conforme o setor e a estratégia adotada. Enquanto alguns produtos podem sofrer com a redução das exportações para os EUA, outros poderiam beneficiar o mercado interno, como o etanol, que se tornaria mais barato localmente. A possibilidade de retaliação por parte do governo brasileiro é vista como arriscada, com preferência dada à negociação direta. Um projeto no Senado, articulado pela bancada do agro, busca autorizar reciprocidade tarifária, refletindo a tensão crescente.
A estratégia de Trump combina protecionismo econômico com cálculo político, buscando reduzir déficits comerciais e fortalecer setores industriais norte-americanos. Analistas destacam que, embora a medida possa agradar sua base eleitoral, ela também traz riscos, como aumento de preços para consumidores e possível realinhamento de parceiros comerciais em blocos alternativos, como os BRICS. A longo prazo, o comércio global pode se reorganizar, mas o cenário imediato é de incerteza e ajustes diplomáticos.