O anúncio de novas tarifas sobre produtos importados pelos Estados Unidos, incluindo frutas brasileiras, gerou preocupação no setor de hortifrúti do Brasil. Pesquisadores do Cepea/Esalq-USP alertam que o aumento nos custos pode prejudicar as exportações de uva e manga para o mercado norte-americano, que já são modestas – representando 23% e 14% do total exportado, respectivamente. Além disso, a medida pode pressionar concorrentes como México, Chile e Peru a redirecionar suas vendas para a União Europeia, aumentando a competição no bloco europeu.
Outro ponto de incerteza é como as tarifas serão aplicadas especificamente para as frutas, já que alguns países, como África do Sul, foram taxados em 30%, enquanto outros, como Chile e Peru, receberam alíquotas de 10%. A falta de informações detalhadas sobre o funcionamento das novas regras dificulta a avaliação do impacto real. Os pesquisadores destacam a necessidade de analisar se os principais fornecedores dos EUA enfrentarão taxas ainda mais altas, o que poderia alterar o fluxo global de exportações.
Enquanto isso, o Brasil aprovou mecanismos de retaliação comercial, sinalizando uma possível resposta a barreiras impostas por outros países. A medida reflete a tensão no comércio internacional, mas especialistas ressaltam que o cenário ainda está em evolução. O setor aguarda mais claridade sobre as regras e seus efeitos a médio prazo, especialmente diante da possibilidade de acordos bilaterais que possam amenizar os impactos.