As novas tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos podem alterar fundamentalmente o sistema de comércio internacional, segundo analistas. No médio e longo prazos, há preocupação com uma possível recessão global, enquanto no curto prazo já se observam mudanças nas dinâmicas entre países. Especialistas destacam que nações como China, Japão e Coreia do Sul, historicamente distantes, estão se aproximando para fortalecer suas posições diante das medidas protecionistas.
Para o Brasil, a tarifa de 10% imposta pelos EUA exige cautela e estratégia, conforme avaliações. Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington, ressalta que o país não deve reagir de forma imediata ou ideológica, mas sim buscar negociações e reavaliar acordos como o Mercosul. Além disso, há a necessidade de fortalecer cadeias regionais de valor na América Latina, aproveitando a tendência de aproximação entre blocos econômicos em resposta às barreiras comerciais.
Apesar do cenário desafiador, o Brasil foi menos impactado do que se esperava, com tarifas relativamente brandas em comparação a outros países. No entanto, especialistas alertam que a política comercial atual dos EUA pode comprometer sua própria integridade econômica e política, levantando questionamentos sobre o futuro da liderança global norte-americana. O momento exige que os países adaptem suas estratégias em um ambiente comercial cada vez mais fragmentado.