O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, ameaça elevar tarifas sobre as importações brasileiras, com um anúncio previsto para o chamado “Dia da Libertação” (2 de abril). A medida, que visa proteger a indústria doméstica americana, pode impactar setores como etanol, aço e manufaturados, colocando em risco o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Enquanto o governo brasileiro tenta negociar para evitar retaliações, especialistas alertam para possíveis efeitos negativos nas exportações, especialmente se as tarifas forem aplicadas de forma generalizada.
O Brasil argumenta que mantém um déficit comercial com os EUA e que 74% das importações americanas já entram sem tributação. No entanto, estatísticas mostram que as tarifas médias brasileiras são mais altas, embora o impacto real seja menor devido a isenções em produtos estratégicos. Setores como o agronegócio e a indústria podem sofrer com a medida, especialmente se as taxas chegarem a 25%, cenário considerado extremo por analistas, mas não descartado.
Em resposta, o Congresso brasileiro aprovou um projeto para ampliar instrumentos de defesa comercial, enquanto o governo avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou retaliar caso as negociações fracassem. A tensão reflete não apenas disputas comerciais, mas também um momento delicado nas relações políticas entre os dois países, com o Brasil sendo visto como um alvo potencial devido a sua postura protecionista e divergências recentes.