Um estudo publicado na revista Nature em 2 de abril por pesquisadores dos EUA e Alemanha revelou que a vacina contra herpes zóster (cobreiro) pode estar associada a uma redução no risco de demência. A pesquisa analisou dados de um “experimento natural” ocorrido no País de Gales, onde adultos nascidos após setembro de 1933 foram vacinados contra a doença, enquanto os mais velhos não tiveram acesso à imunização. Ao comparar os dois grupos, os cientistas observaram que os vacinados tiveram quase 20% menos diagnósticos de demência, além da esperada redução nos casos de cobreiro.
Text: Os pesquisadores exploraram duas hipóteses para explicar o resultado. A primeira é que o vírus varicela-zóster, ao reativar-se no organismo e causar cobreiro, poderia danificar o sistema nervoso e aumentar o risco de demência—sendo a vacina uma forma de bloquear esse processo. A segunda sugere que a resposta imunológica desencadeada pela vacina em si poderia ter um efeito protetor no cérebro. Essa teoria ganhou força ao se observar que mulheres, que geralmente têm respostas imunes mais robustas às vacinas, apresentaram maior redução no risco de demência do que os homens.
Text: Apesar dos resultados promissores, os autores destacam que mais pesquisas são necessárias para entender completamente a relação entre a vacina e a demência. O estudo, no entanto, abre um novo caminho para investigações futuras e destaca o valor de “experimentos naturais” na ciência—situações em que políticas públicas ou eventos acidentais criam condições semelhantes a testes clínicos, mas sem a intervenção direta de pesquisadores. A descoberta também reforça a importância de analisar grandes conjuntos de dados de saúde para revelar insights inesperados.