Nesta semana, o senador Cory Booker, de Nova Jersey, entrou para a história ao realizar o discurso mais longo no Senado dos Estados Unidos, com 25 horas e 5 minutos de fala ininterrupta. O feito superou o recorde anterior, estabelecido em 1957, quando um político falou por 24 horas e 18 minutos em uma tentativa de obstruir votação. Diferentemente da prática tradicional do filibuster, usada para atrasar decisões, o discurso de Booker teve como objetivo marcar posição contra políticas do governo Trump, como mudanças no Medicaid e redução de burocracia federal.
A prática do filibuster tem décadas de história no Senado americano, com casos emblemáticos. Em 1908, um senador bateu o recorde da época ao falar por mais de 18 horas, em um episódio marcado por um incidente envolvendo uma bebida contaminada. Outros momentos históricos incluem obstruções em grupo, como em 1917, quando senadores tentaram impedir a entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial, e discursos solitários, como o de 1953, contra a legislação sobre terras petrolíferas.
O filibuster também inspirou a cultura popular, como no clássico filme “Mr. Smith Goes to Washington”, que retrata um senador idealista lutando contra a corrupção. Embora a prática seja muitas vezes associada a obstrucionismo, alguns discursos longos serviram para protestar contra medidas polêmicas, como cortes orçamentários ou políticas de direitos civis. O recente recorde de Booker reacende o debate sobre o papel dessa tradição no sistema político americano.