A China anunciou tarifas recíprocas de 34% sobre produtos americanos, intensificando a guerra comercial entre as duas maiores economias globais. Especialistas destacam que o país asiático tem uma posição vantajosa, já que sua economia depende menos dos EUA do que a americana depende dela. Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, ressaltou que a medida chinesa, mais abrangente que a dos Estados Unidos, pode ter um impacto significativo, marcando uma retaliação mais contundente.
A escalada reflete uma mudança de intensidade, mas não de direção, nas relações entre os dois países, segundo Leandro Consentino, professor do Insper. Ele aponta que o protecionismo tem crescido em meio a crises econômicas sucessivas, como a do subprime e a pandemia, reduzindo os esforços de globalização. Nesse cenário, as nações tendem a adotar medidas mais defensivas, afastando-se da cooperação internacional vista nos anos 1990.
Marcus Vinicius de Freitas, da China Foreign Affairs, alerta que as tarifas americanas representam uma guerra comercial “contra o mundo”, minando a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a estabilidade das regras internacionais. A retaliação chinesa sinaliza um novo capítulo nesse conflito, com potenciais repercussões globais, enquanto o cenário econômico se torna cada vez mais fragmentado e protecionista.