Uma reportagem da revista Piauí expôs os bastidores da gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), revelando manobras para assegurar a reeleição do presidente e gastos milionários com parlamentares, artistas e membros do Judiciário. Entre os casos destacados está o custeio de uma comitiva de 49 pessoas sem vínculo direto com a entidade durante a Copa do Mundo do Catar, incluindo passagens aéreas em primeira classe, hospedagem luxuosa e ingressos para jogos, totalizando R$ 3 milhões. Além disso, salários de presidentes de federações estaduais tiveram aumento de quase 200% durante o mandato atual.
A publicação também detalha contradições nos gastos da CBF, como a suspensão de treinamentos presenciais para árbitros devido a “restrições orçamentárias”, enquanto projetos milionários para centros de treinamento foram aprovados. Outro ponto levantado foi o pagamento de R$ 2,5 milhões a um ex-rival político, que desistiu de concorrer ao cargo após receber o valor, resolvendo uma ação judicial contra a entidade. Simultaneamente, a CBF contratou uma ex-advogada de um influente político para um cargo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por R$ 10 milhões.
A reportagem ainda aborda denúncias de assédio moral e sexual dentro da entidade, incluindo relatos de uma ex-funcionária que afirmou ter sofrido retaliações e humilhações após ser promovida a um cargo de diretoria apenas como estratégia de marketing. Ela também testemunhou a contratação de acompanhantes para eventos e ouviu comentários misóginos de colegas. A CBF não se pronunciou sobre todas as acusações, mas o presidente defendeu as despesas com convidados como uma prática comum no meio esportivo.