Um relatório do UNICEF e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que as mortes de crianças e adolescentes por intervenções policiais no estado de São Paulo aumentaram 120% entre 2022 e 2024. No mesmo período, negros foram 3,7 vezes mais vitimados em ações letais da Polícia Militar. O estudo atribui o crescimento à redução de mecanismos de controle, como a diminuição de conselhos disciplinares e processos administrativos, além de mudanças nas políticas de uso de câmeras corporais, que passaram a não gravar continuamente. O cenário contrasta com o período anterior (2019-2022), quando a implementação dessas câmeras e políticas de fiscalização havia reduzido as mortes em 66,7%.
O documento destacou que 34% das mortes violentas de jovens até 19 anos em 2024 foram causadas por policiais em serviço, um aumento em relação aos 24% registrados em 2022. Entre adultos, a proporção dobrou. Especialistas alertam que a tecnologia das câmeras, sozinha, não é suficiente sem políticas robustas de controle da força policial. Além disso, o racismo estrutural foi apontado como fator agravante, com crianças e adolescentes negros sendo os mais vulneráveis à violência estatal.
O relatório recomenda a retomada da gravação ininterrupta das câmeras corporais, auditorias independentes e maior transparência no compartilhamento das imagens com o sistema de justiça. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que ampliou o número de câmeras e puniu agentes envolvidos em excessos, mas especialistas criticam a falta de efetividade nas investigações e a escalada de violência, que tem sido tratada como uma “epidemia” por defensores de direitos humanos.