A Câmara dos Deputados aprovou, com amplo apoio, o projeto de lei da reciprocidade, que permite ao Brasil retaliar países ou blocos que imponham barreiras aos produtos nacionais. A medida, que agora aguarda sanção presidencial, foi defendida pelo relator Arnaldo Jardim como um instrumento alinhado com práticas internacionais, semelhante a legislações de EUA e União Europeia. O deputado destacou que a lei deve ser usada apenas em último caso, priorizando a negociação e a busca por acordos compensatórios.
A unanimidade em torno do projeto refletiu uma rara convergência entre ruralistas, governistas e setores industriais e comerciais, em defesa do interesse nacional. Jardim ressaltou que a resposta do governo brasileiro às recentes tarifas impostas pelos EUA tem sido moderada, focada no diálogo e na busca de soluções caso a caso. Apesar do impacto das medidas americanas, ele avalia que o momento não exige retaliações imediatas, mas sim a preparação estratégica com a nova lei como salvaguarda.
O texto também abordou a postura do PL, que inicialmente obstruiu a votação, mas depois apoiou a proposta, demonstrando flexibilidade em prol de uma agenda comum. Jardim enxerga a lei como um complemento à capacidade de negociação do Brasil, embora admita que mudanças adicionais na legislação possam ser necessárias no futuro, dependendo da evolução do cenário global. A medida, segundo ele, visa inibir ações desproporcionais contra o país, sem provocar conflitos desnecessários.