A Câmara dos Deputados aprovou, em votação unânime, o projeto de lei da reciprocidade, que permite ao Brasil retaliar países ou blocos que imponham barreiras a produtos nacionais. A medida, apoiada por ruralistas, governistas e setores industriais, foi vista como uma defesa do interesse nacional acima de divisões partidárias. O relator do projeto, deputado Arnaldo Jardim, destacou que a lei segue modelos já adotados por países como EUA e Reino Unido, sendo uma salvaguarda para negociações, mas que deve ser usada apenas em último caso.
O texto agora segue para sanção presidencial, enquanto o governo brasileiro mantém uma postura negociadora diante das tarifas impostas pelos EUA. Jardim enfatizou que o Brasil busca diálogo e medidas compensatórias, evitando retaliações imediatas. A lei, segundo ele, serve como instrumento de dissuasão, similar a “porte de arma que se espera não usar”, fortalecendo a posição do país em discussões comerciais.
A aprovação do projeto também superou obstruções partidárias, com destaque para o gesto do PL em priorizar a votação da lei antes de retomar suas bandeiras internas. Embora a legislação seja considerada suficiente por ora, o deputado admitiu que mudanças futuras podem ser necessárias, dependendo da evolução do cenário internacional. O objetivo, no entanto, permanece claro: equilibrar defesa comercial e diplomacia, sem escalar conflitos desnecessários.