O uso de próteses nas passarelas tem ganhado destaque como ferramenta para desafiar padrões de beleza e explorar questões de identidade e transformação. Duran Lantink, estilista holandês, chamou atenção em seu desfile Outono-Inverno 2025 na Semana de Moda de Paris com torsos protéticos que brincavam com a fluidez de gênero, enquanto outras marcas, como Balenciaga e Collina Strada, adotaram acessórios para criar looks que variam de alienígenas a híbridos humano-animais. A tendência, impulsionada por avanços tecnológicos como impressão 3D e materiais realistas, também reflete uma crescente intersecção entre moda, arte e entretenimento, com próteses sendo usadas para criar narrativas visuais impactantes e momentos virais.
Além do aspecto artístico, as próteses na moda servem como comentário sobre padrões de beleza e a cultura da modificação corporal. Martine Rose, por exemplo, desafiou ideais eurocêntricos ao enviar modelos com narizes falsos em seu desfile, enquanto designers como Zhongzhi Ding exploraram soluções práticas para comunidades específicas, como jeans com próteses para homens transgêneros. No entanto, embora algumas criações tenham fins utilitários, a maioria permanece no campo da fantasia, com profissionais defendendo que a moda deve continuar a explorar limites criativos, como próteses animatrônicas ou integradas a movimentos dinâmicos.
O fenômeno também ressalta a evolução histórica das próteses, que migraram de auxílios médicos para instrumentos de expressão artística. Desde o antigo Egito até o cinema e a cultura drag, esses acessórios sempre foram adaptados para novos propósitos. Hoje, com a moda cada vez mais influenciada pelo entretenimento, as próteses se tornaram uma linguagem poderosa para questionar normas e reimaginar a forma humana, seja nas passarelas, no tapete vermelho ou em projetos fotográficos. Como observado por especialistas, a combinação de moda e próteses não apenas amplia possibilidades criativas, mas também reflete debates contemporâneos sobre imagem corporal e identidade.