O Brasil confirmou o primeiro caso de infecção pelo fungo *Trichophyton indotineae*, resistente a antifúngicos, em um paciente atendido em Piracicaba (SP) em agosto de 2024. O caso, publicado em fevereiro de 2025 na revista *Anais Brasileiros de Dermatologia*, envolveu um homem de 40 anos que chegou ao país já infectado após viagens pela Europa e Ásia, onde o fungo já circula. Pesquisadores da Santa Casa de São Paulo e do Instituto de Medicina Tropical da USP alertam para os desafios no tratamento, já que o microrganismo causa lesões extensas, coceira intensa e tendência a recorrências, mesmo com terapia adequada.
O paciente foi inicialmente tratado com terbinafina, antifúngico comum, sem sucesso. Após a troca de medicamento, houve remissão temporária, mas os sintomas retornaram, exigindo tratamento contínuo. A resistência do fungo a terapias tradicionais preocupa especialistas, que destacam a necessidade de vigilância reforçada e capacitação de profissionais de saúde para identificar casos suspeitos. Embora não haja evidências de transmissão local no Brasil, o potencial de disseminação é alto, seguindo padrões observados em outros países.
Medidas como investimento em testes moleculares precisos, treinamento de equipes médicas e conscientização sobre os riscos da automedicação são recomendadas para conter a propagação. O fungo, descrito inicialmente na Índia em 2020, representa maior risco para imunocomprometidos, podendo evoluir para infecções sistêmicas. Apesar da baixa mortalidade, a falta de protocolos específicos no Brasil exige atenção redobrada das autoridades de saúde.