Uma pesquisa publicada pela revista Nature apontou que três em cada quatro cientistas nos Estados Unidos estão pensando em emigrar, com Europa e Canadá como destinos preferidos. O estudo, que ouviu mais de 1.600 pesquisadores, mostrou que 75% dos entrevistados consideram deixar o país devido aos cortes no financiamento à ciência durante o governo anterior. Entre os jovens pesquisadores, o índice é ainda maior: 80% dos pós-graduados e 75% dos doutorandos afirmaram estar planejando sair.
Os cortes orçamentários, parte de uma política de redução de gastos, impactaram diversas áreas da pesquisa científica. Muitos cientistas buscam países com maior estabilidade no apoio acadêmico, incluindo nações onde já possuem conexões profissionais ou domínio do idioma. Alguns entrevistados mencionaram o desejo de retornar a seus países de origem, enquanto outros preferem destinos com tradição em investimentos em ciência.
O cenário tem causado preocupação, especialmente entre pesquisadores em início de carreira, que veem poucas perspectivas de crescimento nos EUA. Uma pós-graduada entrevistada pela Nature resumiu o dilema: “Esta é a minha casa, eu amo meu país, mas me orientaram a ir embora agora.” A fuga de cérebros pode ter consequências significativas para a liderança científica norte-americana no longo prazo.