Uma pesquisa coordenada pela Ação da Cidadania com 1.700 entregadores de aplicativos em São Paulo e Rio de Janeiro apontou que 56,4% trabalham mais de 9 horas por dia. Além disso, 13,5% vivem em restrição alimentar moderada ou grave, índice superior à média nacional de 9%. O estudo também destacou que 9 em cada 10 entrevistados têm a atividade como ocupação principal, e mais de 41% já sofreram acidentes de trabalho.
Segundo a ONG, muitos entregadores aceitam as condições atuais pelo retorno financeiro rápido e pela sensação de liberdade profissional, mas essa percepção pode ser enganosa. “Esse modelo de trabalho é mais uma falta de opção do que uma escolha”, afirmou um representante da organização. A pesquisa foi realizada em agosto de 2024, pouco antes de uma greve nacional organizada por entregadores em março e abril deste ano.
Durante a paralisação, os trabalhadores reivindicaram melhores condições, como aumento da taxa mínima por entrega, ajuste nos valores por quilômetro rodado e limitação de rotas para ciclistas. As demandas refletem a busca por um equilíbrio entre a flexibilidade do trabalho e garantias mínimas de segurança e remuneração justa.