A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram uma nova etapa da Operação Overclean, que apura um esquema de corrupção envolvendo desvios de até R$ 1,4 bilhão em contratos públicos fraudados e obras superfaturadas. Os recursos desviados teriam origem em emendas parlamentares, com operações concentradas no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e em prefeituras de diversos estados. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em 16 endereços e determinou o afastamento de um servidor público, sob sigilo determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O esquema, investigado desde 2024, teria movimentado R$ 824 milhões apenas no ano passado, com contratos de limpeza urbana servindo como fachada para os desvios. As investigações revelaram a extensão da operação em 17 estados, incluindo contratos milionários em Salvador (BA). Planilhas apreendidas detalham projetos, valores e responsáveis por fraudes em licitações em diversas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
A operação também identificou diálogos entre investigados e figuras ligadas a políticos, com solicitações de apoio para liberação de emendas parlamentares. Embora nomes tenham sido citados, as autoridades destacam que as investigações estão em andamento e que não há conclusões definitivas sobre envolvimentos específicos. O caso segue sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques no STF, com total sigilo processual.