Uma operação de invasão hacker a sistemas do governo do Paraguai, batizada de Vortex, foi inicialmente interrompida por receio de que vazasse para a Polícia Federal e resultasse na prisão dos envolvidos. A ação, que começou durante o governo anterior, continuou no atual governo, com autorização de dirigentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Segundo relatos, o objetivo era obter dados sigilosos sobre negociações relacionadas ao Anexo C do Tratado de Itaipu, que estabelece as bases financeiras da usina binacional. O governo afirmou ter suspendido a operação assim que tomou conhecimento, em março de 2023.
A operação teria utilizado ferramentas de intrusão, como Cobalt Strike, e e-mails com engenharia social para acessar sistemas do Congresso e da Presidência do Paraguai. Os ataques partiram de servidores no Chile e no Panamá, com aprovação de altas autoridades da Abin. A revelação causou desgaste nas relações bilaterais, levando o Paraguai a convocar o embaixador brasileiro para esclarecimentos e a abrir uma investigação criminal sobre o caso.
O caso expõe tensões entre setores da Abin e da Polícia Federal, agravadas pelas investigações sobre supostas atividades de espionagem ilegal durante o governo anterior. Embora a operação tenha sido justificada como uma ação de inteligência, a falta de transparência e os métodos utilizados levantaram questões sobre a legalidade e os impactos diplomáticos. O Ministério Público paraguaio agora apura as suspeitas, enquanto o Brasil busca conter os danos à sua imagem internacional.