Um projeto pioneiro no Brasil, liderado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, busca identificar e prevenir sinais de radicalização e violência extrema entre crianças e adolescentes. O Núcleo de Prevenção à Violência Extrema, criado há um ano, já identificou 178 casos de jovens com tendências preocupantes, sendo 41 considerados graves e monitorados atualmente. A iniciativa integra inteligência policial, tecnologia e promotorias especializadas para detectar riscos, focando especialmente no ambiente digital, onde a exposição a conteúdos violentos é crescente.
Entre os principais fatores que contribuem para a radicalização juvenil estão o uso excessivo de telas sem supervisão parental, a desestruturação familiar e o bullying. Jovens em situação de risco costumam apresentar comportamentos como isolamento, desinteresse pela escola e obserssão por conteúdos violentos. Segundo especialistas, esses adolescentes muitas vezes passam despercebidos por serem “os quietinhos”, mas a combinação de sinais pode indicar um caminho perigoso.
A pesquisadora Michele Prado alerta que grupos radicais recrutam jovens por meio de plataformas digitais populares, usando conteúdos engajadores para depois levá-los a espaços fechados e nocivos. Ela destaca a necessidade de um esforço coletivo para fechar essas “portas de entrada”, já que o problema envolve não apenas o adolescente e sua família, mas toda a sociedade. O combate à radicalização exige atenção contínua e ações coordenadas entre educadores, assistentes sociais e forças de segurança.