Marina Sena lança seu terceiro álbum, “Coisas naturais”, mostrando evolução como cantora e letrista, com músicas mais elaboradas e narrativas bem construídas. O disco resgata influências da MPB dos anos 70, após um trabalho anterior mais pop, e explora novas texturas vocais, como em “Desmitificar”, que chama atenção por sua experimentação. A letra de “Ouro de tolo” destaca-se pela profundidade, abordando temas como o fim de relacionamentos com rara maturidade para o pop brasileiro.
No entanto, o álbum oscila entre referências muito explícitas e tentativas de universalizar o som. Trechos como “Anjo” soam como uma homenagem excessiva a Gal Costa, enquanto “Lua cheia” peca por não assumir totalmente sua inspiração no arrocha. Apesar disso, momentos como “Combo da sorte” mostram equilíbrio, misturando reggae e brasilidade com leveza, sugerindo um caminho promissor para a artista.
A análise aponta que Marina Sena, hoje uma das principais vozes do pop nacional, ainda busca consolidar sua identidade musical, mesclando influências passadas com aspirações contemporâneas. Embora “Coisas naturais” tenha altos e baixos, ele reforça o potencial da cantora, que segue em crescimento artístico, mesmo sem atingir plenamente seu ápice criativo.