O governo brasileiro está avaliando como responder à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 10% sobre todas as exportações do Brasil a partir deste sábado (5). A medida, anunciada pela administração americana, faz parte de um pacote mais amplo que também atingiu outros países, como China, Índia e União Europeia, com taxas ainda maiores. Especialistas sugerem que o Brasil pode usar como estratégia a ameaça de retaliações na área de propriedade intelectual, como a quebra de patentes de produtos farmacêuticos e suspensão de royalties, instrumento recentemente aprovado pelo Congresso nacional.
Embora o Brasil tenha autorização para retaliar sem aval da Organização Mundial do Comércio (OMC), analistas alertam que uma guerra comercial direta com os EUA seria prejudicial. A estratégia mais viável seria usar a ameaça como moeda de negociação, seguindo o exemplo de 2009, quando o país obteve concessões sem precisar aplicar medidas efetivas. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com um saldo positivo de US$ 300 milhões para os americanos no último ano, destacando a importância de uma solução diplomática.
Além da propriedade intelectual, o Brasil poderia adotar outras medidas, como aumento de tarifas ou restrições quantitativas, mas especialistas destacam que isso poderia encarecer insumos industriais e inflacionar a economia. Uma alternativa seria articular uma resposta conjunta com outros países afetados, como México, Canadá e União Europeia, para fortalecer sua posição. Enquanto isso, o governo brasileiro reiterou sua disposição ao diálogo, buscando evitar escaladas que possam prejudicar ainda mais o comércio bilateral.