O anúncio das novas tarifas comerciais dos Estados Unidos, divulgado na quarta-feira (2), incluiu a maioria dos parceiros comerciais do país, mas deixou de fora Canadá, México e Rússia. Segundo a Casa Branca, Canadá e México foram isentos devido ao acordo USMCA, que garante tratamento preferencial para bens que atendam aos critérios de origem. No entanto, produtos como automóveis, aço e alumínio continuam sujeitos a tarifas específicas, além das taxas de 25% impostas anteriormente pelo governo Trump em medidas relacionadas ao combate ao tráfico de fentanil e à migração irregular.
A Rússia foi excluída da nova política tarifária devido às sanções econômicas já existentes, que praticamente interromperam o comércio significativo entre os dois países. Dados oficiais mostram que o volume comercial caiu de US$ 35 bilhões em 2021 para US$ 3,5 bilhões em 2024. A justificativa inclui restrições semelhantes às aplicadas a Cuba, Coreia do Norte e Belarus. Curiosamente, a Rússia ainda mantém um fluxo comercial com os EUA maior do que alguns países incluídos na lista, como territórios remotos e pouco populosos.
A nova política tarifária surpreendeu ao incluir até mesmo ilhas desabitadas, como Heard Island e McDonald Islands, com alíquotas de 10%, enquanto a Ucrânia, em guerra com a Rússia, também foi taxada. Especialistas criticam a falta de clareza nos critérios e apontam uma ruptura com princípios comerciais internacionais, como o da nação mais favorecida. O anúncio reflete uma abordagem que mistura aritmética básica e déficits bilaterais, contrariando promessas anteriores de simplificação.