O anúncio de elevação de tarifas sobre importações pelos Estados Unidos representa uma ruptura com princípios estabelecidos do comércio internacional, como o da “nação mais favorecida”, que prevê igualdade de tratamento entre membros da Organização Mundial do Comércio (OMC). O plano inclui taxas variáveis para 25 países, além de um aumento de 25% sobre veículos e peças automotivas. Economistas questionam a eficácia da medida, destacando que políticas similares na gestão anterior não geraram os resultados esperados em empregos ou competitividade industrial.
A base do cálculo das novas tarifas considera uma média de impostos e barreiras não tarifárias aplicadas por outros países, dividida pela metade — uma abordagem que especialistas consideram pouco clara em sua aplicação prática. A medida pode pressionar a inflação nos EUA, encarecendo produtos importados, sem necessariamente compensar a redução de impostos internos ou a dívida pública, que ultrapassa US$ 30 trilhões. Além disso, há preocupações com o enfraquecimento das cadeias globais de produção, especialmente na Ásia, onde tarifas chegam a 75% no caso da China.
Para o Brasil, as tarifas foram menos severas do que o esperado, com exceção de setores como aço e alumínio, já afetados anteriormente. O governo brasileiro criticou a medida, classificando-a como violação de acordos da OMC. Globalmente, a expectativa é de aumento do protecionismo, com distorções no comércio exterior e possível redução da integração econômica. As novas regras entram em vigor em dias distintos, mas seus impactos devem ser sentidos mais intensamente no segundo semestre.