O anúncio de elevação de tarifas sobre importações pelos Estados Unidos representa uma ruptura com princípios estabelecidos do comércio internacional, como o da “nação mais favorecida”, segundo economistas. O plano inclui taxas variáveis para 25 países, além de um aumento de 25% sobre veículos e peças automotivas. A justificativa é buscar reciprocidade, calculando uma média de barreiras tarifárias e não tarifárias impostas por esses países e dividindo-a pela metade. Especialistas questionam a metodologia e a aplicação prática dessas medidas, que podem gerar distorções no comércio exterior.
As medidas, segundo o governo americano, visam arrecadar trilhões de dólares para reduzir impostos internos e a dívida pública, além de estimular empregos. No entanto, análises indicam que políticas similares na gestão anterior não trouxeram os resultados esperados, prejudicando a competitividade industrial dos EUA. Além disso, a inflação pode subir com o encarecimento de produtos importados, enquanto o impacto na dívida pública permanece incerto. Para o Brasil, as tarifas foram menos severas do que o temido, exceto para setores como aço e alumínio, mas o governo criticou a medida por violar acordos da OMC.
O cenário global tende a se tornar mais protecionista, com cadeias produtivas enfraquecidas e possíveis retaliações, especialmente da China. Analistas preveem que os efeitos serão sentidos no segundo semestre, com riscos de um comércio internacional mais fechado. A medida reflete uma estratégia de longo prazo do governo americano, mas suas consequências econômicas e diplomáticas ainda são alvo de debate.