O Brasil vive um momento histórico na busca por memória e justiça para as vítimas da ditadura militar, com a expedição de novas certidões de óbito que reconhecem mortos e desaparecidos como vítimas de violência estatal. Nilmário Miranda, assessor especial do Ministério dos Direitos Humanos, destacou que os documentos, que devem ser entregues às famílias nas próximas semanas, corrigem registros antigos, atribuindo as mortes a “perseguição política por agentes do Estado”. A iniciativa, fruto de um acordo com o Conselho Nacional de Justiça, inclui 202 retificações e 232 novos registros, que serão entregues em solenidades públicas, reforçando o reconhecimento dessas pessoas como “heróis da pátria”.
Além disso, o governo retomou a investigação sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, cujo acidente em 1976 é questionado por documentos e testemunhos que sugerem possível ação criminosa. Miranda citou paralelos com o caso de Zuzu Angel, cuja morte também foi inicialmente tratada como acidente, mas posteriormente reconhecida como assassinato. A reabertura desses casos busca esclarecer a verdade histórica, sem viés ideológico, enquanto espaços que foram palco de torturas e prisões, como o Forte do Barbalho e a Casa da Morte em Petrópolis, estão sendo transformados em memoriais para educação e conscientização.
Miranda, que foi preso e torturado durante o regime, enfatizou a importância de preservar esses locais como forma de transmitir às novas gerações o que ocorreu durante a ditadura. Ele citou o exemplo do Memorial da Resistência, em São Paulo, que recebe milhares de visitantes anualmente, e destacou a necessidade de articular uma rede nacional de espaços de memória com governos locais. A iniciativa visa não apenas reparar o passado, mas também fortalecer a democracia, evitando que violações se repitam no futuro.