Nos últimos três ou quatro anos, um psicólogo espanhol observou mudanças significativas nos desenhos de jovens participantes de seus workshops sobre masculinidade. Antes, as figuras representavam traficantes musculosos, tatuados e cercados de símbolos de violência e poder, algo comum no imaginário masculino tóxico. Recentemente, porém, os desenhos passaram a incluir elementos que refletem uma visão mais complexa e crítica do que significa ser homem, sugerindo uma possível evolução na percepção das novas gerações.
O debate ganhou força com o lançamento de uma série da Netflix que aborda a adolescência e a masculinidade tóxica, colocando o tema em destaque na Espanha. No entanto, a discussão também revela uma falta de conhecimento histórico sobre o período da ditadura no país, o que influencia a forma como certos comportamentos masculinos são interpretados. A mistura entre ignorância histórica e a representação midiática da masculinidade complica o diálogo sobre mudanças sociais.
Enquanto alguns veem a série como um avanço na representação de questões de gênero, outros criticam sua abordagem superficial, que não explora as raízes culturais e políticas do problema. O fenômeno ressalta a necessidade de uma educação mais robusta sobre história e gênero, capaz de contextualizar as representações contemporâneas da masculinidade sem simplificá-las.