O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, garantiu que o compromisso de defesa coletiva da aliança permanece intacto, apesar das recentes declarações do presidente americano que sugeriam condicionalidade no apoio aos membros. Em entrevista à AFP, Rutte destacou que os Estados Unidos mantêm seu compromisso com o Artigo 5, que assegura a defesa mútua, e descartou a possibilidade de uma retirada militar da Europa. No entanto, ele admitiu que Washington pode direcionar mais atenção para a Ásia, em linha com suas prioridades estratégicas frente à China.
Durante reunião de ministros das Relações Exteriores da Otan, o secretário de Estado americano propôs que os países membros elevem seus gastos em defesa para 5% do PIB, meta considerada inalcançável para a maioria. Rutte afirmou que a aliança iniciará um processo de análise para definir uma nova meta de gastos, a ser apresentada na cúpula de junho em Haia. O objetivo é equilibrar as necessidades militares com as realidades econômicas dos países integrantes.
Rutte reforçou que a Rússia continua sendo a principal ameaça à Otan, mas também expressou preocupação pessoal com o crescimento militar da China, divergindo da posição mais cautelosa da aliança. Ele citou o aumento de navios e ogivas nucleares chinesas como motivos de alerta, embora a Otan evite classificar o país como uma ameaça direta. A declaração reflete as tensões geopolíticas em meio aos esforços para encerrar o conflito na Ucrânia.