O exército de Mianmar está impedindo a chegada de ajuda humanitária essencial às vítimas do terremoto em regiões onde enfrenta resistência ao governo, segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU. Desde o terremoto de 28 de março, a organização investiga 53 ataques reportados, incluindo operações aéreas, sendo que 16 ocorreram após um cessar-fogo anunciado em 2 de abril. A situação nas áreas afetadas, principalmente fora do controle militar, foi descrita como “catastrófica”, com milhões de pessoas sem acesso a alimentos, água e abrigo.
A ONU destacou que as restrições à ajuda fazem parte de uma estratégia para evitar o auxílio a populações consideradas opositoras ao governo. A região de Sagaing, uma das mais críticas, enfrenta urgência extrema, com o tempo se esgotando para as equipes de resgate. Enquanto isso, a junta militar elevou o número oficial de mortos para mais de 3.100 e declarou um cessar-fogo unilateral de 20 dias, mas advertiu que reagiria a qualquer ataque de grupos rebeldes.
O conflito em Mianmar, agravado pelo golpe de 2021, já deslocou mais de 3,5 milhões de pessoas e devastou a economia local. A ONU pediu o fim imediato dos ataques aéreos, afirmando que o foco deve ser a recuperação humanitária. A crise persiste enquanto agências internacionais lutam para fornecer assistência em meio às restrições e à instabilidade política.