No fim de março, o Banco Central (BC) avaliou que os preços dos alimentos continuariam pressionando a inflação, o que exigiria a manutenção das taxas de juros elevadas por mais tempo. No entanto, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que, nos próximos 60 dias, os preços dos alimentos devem recuar, o que poderia abrir espaço para uma redução da taxa básica de juros antes do previsto. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, patamar similar ao de 2015/2016 e um dos mais altos do mundo.
O BC utiliza a taxa de juros como principal instrumento para controlar a inflação, que impacta especialmente a população mais pobre. A autoridade monetária segue o sistema de metas, e as projeções indicam que a inflação permanecerá acima do centro da meta (3%) até 2027. Em março, o BC destacou que os preços dos alimentos, principalmente os in natura e as proteínas, seguem altos devido a fatores como oferta restrita e demanda externa aquecida, o que pode prolongar a pressão inflacionária.
Apesar das expectativas de melhora nos preços dos alimentos, o BC sinalizou que a Selic deve permanecer alta por mais tempo, com possibilidade de novo aumento em maio, ainda que menor que um ponto percentual. A decisão dependerá da evolução da inflação, que atualmente está em 5,5% em 12 meses, acima do limite superior da meta (4,5%). O cenário sugere que a redução dos juros só ocorrerá quando houver clara desaceleração dos preços, especialmente nos itens essenciais como alimentação.