O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu uma nota criticando a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 10% sobre todas as exportações brasileiras para o mercado norte-americano. A medida, anunciada pelo governo norte-americano, foi classificada como unilateral, injusta e desequilibrada, violando acordos estabelecidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty destacou que os EUA mantêm um superávit comercial expressivo com o Brasil, chegando a US$ 28,6 bilhões no ano passado, o que demonstra uma relação desigual em favor dos norte-americanos.
O governo brasileiro afirmou que está avaliando possíveis medidas de resposta, incluindo consultas ao setor privado e ações diplomáticas ou legais, como um recurso à OMC. Além disso, mencionou o projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, aprovado no Congresso, como um instrumento para retaliar em casos como este. Negociações com representantes dos EUA foram realizadas, mas até o momento não houve consenso sobre a questão tarifária.
Diplomatas ouvidos pela reportagem indicaram que o Brasil busca esgotar todas as opções de diálogo antes de partir para medidas mais duras. Apesar da possibilidade de retaliação, o governo prefere manter a via diplomática aberta, embora não descarte ações formais na OMC. A situação expõe as tensões comerciais entre os dois países e a dificuldade de resolver disputas em um cenário onde o organismo multilateral enfrenta limitações operacionais.