Em 1º de abril de 1964, durante uma sessão extraordinária do Congresso Nacional, o então deputado federal Tancredo Neves protestou contra a declaração do presidente do Senado, que anunciou a vacância da Presidência da República após a saída de João Goulart do poder. Goulart, que se encontrava em Porto Alegre, optou por não resistir ao movimento militar para evitar derramamento de sangue, partindo para o exílio no Uruguai, onde morreria anos depois. A sessão, marcada por divisão entre parlamentares, culminou na deposição de Goulart e na posterior eleição do marechal Castello Branco, consolidando o início da ditadura civil-militar.
Tancredo Neves, que na época denunciou o ato como um golpe, tornou-se uma figura de oposição ao regime nos 21 anos seguintes. Décadas depois, em janeiro de 1985, seria eleito pelo Colégio Eleitoral como o próximo presidente do Brasil, simbolizando a transição para a democracia. Sua trajetória política, desde a resistência inicial até o papel central na redemocratização, reflete a complexidade do período.
O episódio de 1964, ocorrido no Dia da Mentira, foi tratado com gravidade por Tancredo, que insistiu na ilegitimidade da manobra. A decisão de Goulart de não confrontar os militares contrastou com a postura de outros líderes, como Leonel Brizola, que defendia a resistência. O texto resgata a memória desse momento decisivo, destacando como figuras políticas enfrentaram os desafios de um dos períodos mais conturbados da história brasileira.