O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, anunciou tarifas recíprocas sobre dezenas de países, alegando que elas corresponderiam aos valores cobrados por outras nações. No entanto, o cálculo utilizado não segue uma análise detalhada das tabelas tarifárias de cada país, como seria esperado. Em vez disso, a administração Trump adotou uma fórmula simplista: dividiu o déficit comercial dos EUA com cada nação pelo valor das exportações para o país e reduziu o resultado pela metade, atribuindo essa porcentagem como uma “tarifa” implícita cobrada pelos outros países.
Por exemplo, no caso da China, o superávit comercial de 67% em relação às exportações para os EUA foi tratado como uma tarifa, embora essa interpretação não reflita a realidade das barreiras comerciais. Analistas destacam que a política adotada não é verdadeiramente recíproca, mas sim focada em reduzir superávits comerciais de outros países. Mike O’Rourke, da Jones Trading, observou que a medida visa nações com grandes excedentes em relação às exportações para os EUA, sem considerar as tarifas efetivamente aplicadas por esses parceiros comerciais.
A abordagem simplificada pode ter impactos significativos nas cadeias de suprimentos globais e nas margens de lucro de empresas multinacionais que dependem do comércio com os EUA. Especialistas alertam que a falta de transparência e a natureza arbitrária do cálculo podem gerar instabilidade econômica, afetando tanto os países-alvo quanto as corporações norte-americanas. A medida, embora apresentada como uma resposta equilibrada, revela uma estratégia mais alinhada com metas políticas do que com uma reciprocidade comercial real.