O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira praticamente estável (-0,04%), aos 131.140,65 pontos, resistindo parcialmente aos impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, conhecidas como “Dia da Libertação”. Enquanto mercados globais, como Nasdaq e Dow Jones, registraram quedas acentuadas, o índice brasileiro teve desempenho resiliente, impulsionado por setores como bancos e varejo. Apesar da pressão sobre commodities, como petróleo e minério de ferro, ações de empresas como Magazine Luiza e Itaú apresentaram ganhos significativos, enquanto o real se apreciou frente ao dólar.
A medida protecionista de Donald Trump, que tributou importações de vários países, incluindo o Brasil com uma tarifa de 10%, gerou volatilidade e preocupação com riscos de estagflação. Analistas destacam que, embora o Brasil tenha sido menos afetado em comparação a potências asiáticas, o cenário global permanece incerto, com possíveis desacelerações e ajustes nos preços de commodities. Setores como educação e consumo foram beneficiados pela queda nos juros futuros, mas há cautela quanto aos efeitos inflacionários e ao ritmo de atividade econômica.
Especialistas apontam que o Brasil pode se beneficiar indiretamente, atraindo investimentos de players globais em busca de alternativas ao protecionismo americano, especialmente nas relações com a Ásia. No entanto, o ambiente conturbado exige atenção, já que os prazos curtos para implementação das tarifas limitam espaço para negociações. Enquanto isso, o mercado financeiro local demonstra relativa resistência, mas mantém-se alerta aos desdobramentos internacionais e seus impactos na economia doméstica.