Os principais índices futuros das ações nos Estados Unidos registraram quedas significativas nesta sexta-feira (4.abr.2025), após o anúncio de amplas tarifas comerciais pelo presidente Donald Trump. O S&P 500, o Nasdaq 100 e o Dow Jones caíram cerca de 3% no pré-mercado, seguindo a pior sessão em cinco anos na véspera, quando o plano tarifário — que inclui taxas de 10% sobre importações — foi revelado. Investidores temem que as medidas desencadeiem uma guerra comercial global, elevando para 60% o risco de recessão, segundo o JPMorgan.
A atenção do mercado se volta agora para o relatório de empregos dos EUA, que deve mostrar a criação de 137 mil postos em março, abaixo da média recente, e para o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre as perspectivas econômicas. Enquanto isso, o ouro, considerado um ativo seguro, registrou ganhos semanais consecutivos, com analistas projetando preços ainda mais altos diante da incerteza. Já o petróleo enfrenta forte pressão, com quedas superiores a 6% após o anúncio das tarifas e a possível aceleração da produção pela Opep+.
No Brasil, os investidores aguardam a divulgação do IGP-DI, indicador de inflação sensível ao câmbio e aos custos do atacado. Apesar do cenário adverso, analistas avaliam que o país pode se beneficiar indiretamente das tarifas norte-americanas, já que alíquotas menores sobre produtos brasileiros — comparadas às impostas a China e União Europeia — podem abrir oportunidades para exportadores em setores como mineração, siderurgia e etanol. O mercado local reagiu com relativo otimismo à medida que o Brasil aparece como alternativa viável para a demanda dos EUA.