A liquidação global de ações bancárias atingiu níveis alarmantes nesta sexta-feira (4), marcando a pior semana em pelo menos 40 anos para os bancos japoneses, enquanto instituições financeiras nos EUA e Europa também registraram quedas significativas. O temor de uma recessão global, agravado pela guerra comercial liderada pelos EUA, tem pressionado os mercados, com os bancos japoneses sofrendo perdas de até 22% em uma semana – as maiores desde a crise de 2008. O índice Topix, que mede o desempenho do setor bancário no Japão, recuou 20,2%, o pior resultado desde 1983.
Os impactos se estenderam à Europa, onde um índice de bancos chegou a cair 6,5%, atingindo o menor patamar desde fevereiro. Nos EUA, grandes bancos como Citigroup e Bank of America tiveram quedas superiores a 10% em um único dia. A fuga dos investidores para ativos mais seguros, como títulos governamentais, elevou os preços dos títulos japoneses de 10 anos, reduzindo seus rendimentos à menor taxa em décadas. As expectativas de aumento nas taxas de juros pelo Banco do Japão foram praticamente descartadas, pressionando ainda mais as margens de lucro do setor.
Especialistas apontam que a incerteza econômica e as políticas protecionistas estão redefinindo os rumos do mercado financeiro. Com perdas combinadas que ultrapassam US$ 69 bilhões apenas entre os três maiores bancos japoneses, a crise no setor bancário reflete preocupações mais amplas sobre o crescimento global. “O mundo mudou, e essas mudanças reverberam fortemente no Japão”, destacou um economista do HSBC, ressaltando a sensibilidade do país às turbulências internacionais. A situação sugere que a volatilidade deve persistir no curto prazo.