O livro “When the Going Was Good”, de Graydon Carter, é uma memória que mergulha na era de ouro das revistas, revelando um mundo de extravagância e poucos limites. Carter, ex-editor da Vanity Fair, descreve uma época em que as despesas eram generosas, a fiscalização era frouxa e o orçamento para reportagens parecia não ter teto. Em passagens marcantes, ele lembra como era possível enviar repórteres a qualquer lugar, por quanto tempo fosse necessário, mesmo que algumas matérias nunca fossem publicadas. Esses detalhes, que misturam glamour e excesso, são o cerne do livro e refletem o estilo de vida que marcou sua carreira.
Além de destacar o jornalismo de alto nível, Carter não resiste a compartilhar histórias pitorescas sobre os bastidores da indústria, especialmente em Hollywood e no mundo da moda. Seu tom descontraído e propenso a fofocas revela um lado humano e divertido, sem deixar de lado a crítica sutil aos excessos da época. O livro é, acima de tudo, um registro de uma era que já não existe, onde o luxo e a liberdade criativa muitas vezes andavam de mãos dadas.
Apesar do tom nostálgico, a obra mantém um equilíbrio ao não expor detalhes que possam prejudicar reputações, focando-se nas histórias que ilustram um período único no jornalismo. Carter, aos 75 anos, permanece como um símbolo desse tempo, e seu memoir é tanto uma celebração quanto uma reflexão sobre como a indústria mudou. O texto flui com leveza, mas não deixa de questionar, mesmo que indiretamente, os limites éticos e financeiros daquela época.