A exposição na Serpentine, em Londres, cativa os visitantes desde o primeiro instante, com um aroma intenso de folhas de louro que revestem as paredes do espaço central. O louro, árvore sagrada para o deus Apolo e símbolo de vitória e arte, carrega séculos de significado cultural, desde coroas de poetas até representações em obras de Botticelli e Bernini. Essa carga histórica, no entanto, não parece pesar na obra do artista italiano Giuseppe Penone, que desde 1968 consegue dialogar com a tradição sem ser por ela limitado.
A mostra surpreende com elementos surreais, como árvores que se abrem e rochas equilibradas em galhos, criando uma atmosfera quase xamânica. Penone convida o público a uma experiência sensorial e reflexiva, onde a natureza e a mitologia se entrelaçam de maneira poética. O uso do louro não só evoca memórias ancestrais, mas também serve como um elo entre o passado e a expressão artística contemporânea.
A habilidade de Penone em transformar referências clássicas em algo novo e pessoal é um dos pontos altos da exposição. Suas obras, ao mesmo tempo simples e profundas, desafiam a percepção e convidam a uma imersão contemplativa. A mostra na Serpentine reforça como a arte pode ser um portal entre diferentes tempos e sensações, unindo cheiros, formas e histórias em uma experiência única.