Um juiz aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo foi denunciado pelo Ministério Público por utilizar uma identidade falsa durante 40 anos. Segundo as investigações, o magistrado, que atuou na carreira jurídica sob um nome supostamente estrangeiro, na verdade possuía uma identidade brasileira. A fraude teria começado em 1980, quando ele emitiu um RG com dados inventados, incluindo ascendência britânica fictícia, e persistiu ao longo de sua formação acadêmica e trajetória profissional.
As autoridades descobriram o caso após uma tentativa de obter uma nova via do documento de identidade em 2023, quando a comparação de digitais revelou a inconsistência. A denúncia lista três ocasiões específicas em que o acusado teria usado documentos falsos, incluindo registros no Detran e no Renavam. O processo corre em segredo de Justiça, e o Ministério Público pediu o cancelamento dos documentos fraudulentos, além de medidas cautelares para evitar sua saída do país.
A motivação para a suposta vida dupla permanece desconhecida. O magistrado, que se aposentou em 2018, teria ingressado na USP, prestado concurso e atuado em varas cíveis sob o nome falso, proferindo milhares de decisões. A Promotoria destacou que os documentos da época não tinham sistemas robustos de segurança, o que facilitou a falsificação. O caso segue sob investigação, sem contato estabelecido com o acusado até o fechamento da reportagem.