O governo da Itália anunciou novas regras para a obtenção da cidadania por direito de sangue, limitando o acesso automático a filhos e netos de italianos nascidos no país. A decisão, anunciada pelo vice-primeiro-ministro, visa conter o crescimento exponencial de pedidos, especialmente do Brasil e da Argentina, onde milhões de descendentes buscam o passaporte europeu. A mudança altera a Lei da Cidadania de 1992, que antes não impunha limites geracionais, e já está em vigor para novas solicitações.
A medida foi motivada pela sobrecarga em tribunais e prefeituras italianas, que enfrentam dificuldades para processar o alto volume de pedidos, muitos impulsionados por empresas que comercializam serviços de reconhecimento de cidadania. Durante o anúncio, autoridades criticaram a banalização da nacionalidade, destacando que o passaporte italiano não deve ser tratado como um mero benefício comercial. A restrição afeta principalmente brasileiros e argentinos, países com grande histórico de imigração italiana entre os séculos 19 e 20.
Embora a mudança não impacte quem já possui a cidadania, ainda não está claro se afetará a transmissão do direito para filhos e netos de cidadãos já reconhecidos. O decreto precisa ser aprovado pelo Parlamento italiano em 60 dias para se tornar permanente. Dados mostram que a demanda pela cidadania italiana disparou nos últimos anos, com brasileiros sendo o quarto maior grupo a obter nacionalidade europeia em 2023, atrás apenas de sírios, marroquinos e venezuelanos.