Investidores estrangeiros têm demonstrado um interesse crescente pelo mercado brasileiro, mas sem pressa para realizar grandes alocações no país. Segundo Raphael Figueredo, estrategista da XP, os fundos internacionais reconhecem atrativos como valuation, fundamentos das empresas e qualidade das gestões, mas aguardam um momento mais favorável para aumentar sua exposição. A redução de posições no final de 2024, devido à volatilidade e às expectativas não atendidas sobre os juros, ainda influencia essa cautela.
Apesar do interesse renovado, o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil ainda é modesto, com entradas recentes de cerca de R$ 10 bilhões—valor considerado baixo em escala global, mas significativo para uma Bolsa brasileira com valuations atrativos. Figueredo destacou que o país tem se beneficiado mais de uma rotação global para mercados emergentes do que de apostas específicas relacionadas às eleições de 2026. ETFs de emergentes registraram entradas, enquanto o ETF específico do Brasil (EWZ) teve saques, indicando que o movimento atual não está diretamente ligado ao cenário político.
Comparações com a Argentina, onde investidores agressivos lucraram com a mudança de governo, têm surgido em discussões, mas ainda não há um fluxo significativo de capital direcionado por expectativas eleitorais no Brasil. O mercado local segue sendo visto como volátil, com decisões globais e internas determinando sua trajetória nos próximos meses. Apesar do otimismo, a cautela prevalece entre os investidores internacionais.