Um grupo de indígenas Munduruku está em protesto desde a última terça-feira (25) em Itaituba (PA), bloqueando um trecho da BR-230. Eles contestam a tese do marco temporal e a câmara de conciliação liderada por um ministro do STF, exigindo ser ouvidos. Os manifestantes denunciam agressões, como tiros, pedradas e intimidações, mas afirmam manter o caráter pacífico do ato. O protesto inclui adultos e crianças, que também relatam ameaças de motoristas que dirigem em sua direção.
Os indígenas criticam a câmara de conciliação por ter sido criada sem consulta prévia aos povos originários e acusam o marco temporal de beneficiar o agronegócio. Eles destacam que o local do protesto foi escolhido por ser um ponto de escoamento de soja, simbolizando o poder econômico por trás da tese. Além disso, rejeitam a retirada da mineração dos debates, alegando que múltiplos ataques à sua existência continuam. Lideranças Munduruku há anos pedem medidas de proteção mais eficazes, especialmente após a retirada de invasores de suas terras.
O movimento indígena como um todo tem rejeitado a câmara de conciliação, argumentando que o marco temporal distorce seus direitos territoriais. A Apib chegou a deixar a comissão em sinal de protesto, e o Ministério dos Povos Indígenas designou representantes para participar das audiências—uma decisão reprovada pelos manifestantes. O STF não se pronunciou sobre as denúncias até o fechamento desta matéria.