As tarifas comerciais impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, devem desorganizar as cadeias globais de valor, mas o Brasil pode encontrar oportunidades nesse cenário. Especialistas avaliam que, embora haja redução no volume de exportações para os EUA — principalmente em setores como aço e alumínio —, o impacto direto será limitado, já que o comércio bilateral representa apenas 12% das exportações brasileiras. A queda na balança comercial pode pressionar o câmbio, mas o país tem espaço para diversificar mercados, fortalecendo parcerias com outros players, como a China.
A China surge como uma alternativa estratégica, com potencial para ampliar a demanda por commodities agrícolas e atrair novos investimentos em setores como infraestrutura e tecnologia. Consultores destacam que o Brasil pode se beneficiar da guerra comercial entre EUA e China, assumindo fatias de mercado em produtos como soja e carne, além de receber projetos industriais que antes miravam o México. A aproximação com outros parceiros latino-americanos também é vista como uma forma de reduzir a dependência dos EUA.
Apesar das incertezas, análises de instituições como a Moody’s e o Bank of America sugerem que o Brasil, por ser uma economia relativamente fechada, está menos exposto aos efeitos das tarifas. A longo prazo, especialistas recomendam que o país aproveite o momento para fortalecer acordos comerciais e investir em setores internos, mitigando possíveis reverberações negativas da política protecionista norte-americana.