A reação inicial do mercado brasileiro às tarifas recíprocas anunciadas por Donald Trump foi positiva, especialmente porque o país foi incluído no grupo com a alíquota mínima de 10%, menor em comparação a outras nações. Setores como o agronegócio podem se beneficiar, já que conflitos comerciais tendem a redirecionar demandas, como ocorreu durante a guerra comercial entre EUA e China, quando commodities brasileiras ganharam espaço. Além disso, a China pode aumentar investimentos em infraestrutura no Brasil, reforçando uma parceria estratégica que já soma bilhões em projetos.
Contudo, os riscos são significativos. A tarifa de 10% sobre importações dos EUA pode afetar produtos-chave como petróleo bruto, aço e café, enquanto uma guerra comercial prolongada pode desacelerar a economia global, impactando o crescimento brasileiro. Economistas alertam que o PIB dos EUA e mundial pode sofrer reduções, com efeitos indiretos no Brasil, como uma possível queda de 0,5 ponto percentual no PIB doméstico e pressões inflacionárias complexas de mensurar.
Apesar das incertezas, o Brasil está em uma posição relativamente favorável, com menor exposição tarifária e oportunidades para ganhar participação no mercado global. No entanto, o aproveitamento dessas vantagens dependerá de fatores como políticas governamentais, condições financeiras internacionais e a capacidade do país de se adaptar a um cenário econômico mais desafiador. A situação exige monitoramento contínuo, já que os desdobramentos das tarifas ainda estão em estágio inicial e sujeitos a mudanças.